Corpo-Texto

Discurso-Decurso

NÓS SOMOS, EM DECURSO,

UM DISCURSO DO ANTES, O QUE NOS FOI E O QUE NOS FALTA


E SOMOS, EM DISCURSO,

O DECURSO DO QUE DEVERÍAMOS,

MAS QUE PELO TANTO PREENCHIDO POR "ANTES E DEVIRES " ,

DESATIVAMOS ENFIM...


NÃO SOMOS, APENAS SOMAMOS O QUE SOMATIZAMOS

E A ISSO CHAMAMOS, IRONICAMENTE, VIDA...

MAS NÃO É...


SOMOS, EM DESCASO,

UM ACASO ENTRE EXPECTATIVAS E FRUSTRAÇÕES

E SOMOS, POR ACASO,

O DESCASO QUE NOS TOMA EM INDECISÕES ANTE A EXPECTATIVA DE FRUSTRAÇÕES


NÃO SOMOS, APENAS ACENAMOS UMA TENTATIVA

UM CÉLEBRE VISLUMBRE DO QUE UM DIA GOSTARÍAMOS

OU  UM VISLUMBRE DO CÉLEBRE...

A QUE JAMAIS NOS LANÇARÍAMOS


NÃO SOMOS, EM VERDADE,

APENAS EXERCITAMOS O MÚSCULO VAZIO DA ENTREGA PARCIAL

OU O VAZIO DA ENTREGA COM O MÚSCULO PARCIAL DA VERDADE

OU A ENTREGA VAZIA, DE MUSCULATURA ÁTONA, DA VERDADE PARCIAL


SOMOS UM MEIO, QUE POR NÃO TER UM FIM, MORRE EM SI MESMO

FICA MEIO DO CAMINHO

OU SOMOS UM NÃO MEIO, QUE POR TERMOS FIM, NÃO NOS HABILITAMOS A UM TODO CAMINHO


SOMOS UM RECORTE DE INCOMPLETUDES E DESATINOS

OU UM DESATINO COMPLETO EM RECORTE

VICE -VERSAS EM REVERSO

QUASE EM VERSO, MAS SEM POÉTICA ALGUMA


OU O REVERSO DE VICE-VERSAS

QUE DESPIDOS DE QUALQUER REVOLUÇÃO VERSAM VOZES HOMOGÊNEAS

OU AINDA

VICE-VERSAS DO REVERSO

QUE EM VOZES HOMOGÊNEAS DITAM A REVOLUÇÃO

MAS NA VERDADE AGUARDAM ANSIOSOS QUALQUER BRISA DE MUDANÇA

OU VIVENDO DE MENTIRA, E FINGINDO-SE ASSERTIVOS,

MUDAM ANSIOSOS, O TEMPO TODO, A QUALQUER BRISA, A DIREÇÃO INCERTA DO QUE CHAMAMOS DE CAMINHO

OU OU OU


SOMOS A ALTERNATIVA AO QUE NÃO NOS É ALTERNATIVA:

EXISTE O DESTINO DO FIM


E TALVEZ COLORIR O FIM AO PONTO EM QUE ELE QUASE SE DISFARCE ETERNIDADE, NOS IMPULSIONE ASSIM, TÃO EM EFÊMERAS VONTADES

TALVEZ FINGIRMOS QUE NÃO NOS SABEMOS DE UM MESMO FIM, COMUNS  E MORTAIS,

NOS FAÇA ASSIM,

TÃO COMUNS E MORTAIS

TÃO POUCO ASSERTIVOS...


OU TALVEZ, ENFIM,

NOS FINJAMOS QUE INCOMUNS IMORTAIS

A  FIM DE EVITARMOS O FIM


MAS TALVEZ, EM FIM, E TARDE DEMAIS,

NOS DEPAREMOS COM UM FIM QUE POUCOS COMEÇOS

POR MEDO DE ENTENDER QUE TODO COMEÇO TEM FIM

E QUE O FIM NÃO É UM COMEÇO, É SIM, SÓ UM FIM...


TALVEZ, ENFIM, CEDO DEMAIS

NOS DEPAREMOS COM A EFEMERIDADE DO CAMINHO

E DIANTE DA IMPOTÊNCIA DA VERDADE, DESISTAMOS ASSIM, NO MEIO, DE CHEGARMOS A UM FIM,

A UM PROPÓSITO QUE TAMBÉM TERÁ SIM,

UM FIM

DIANTE DA IMPOTÊNCIA DIANTE DO QUE É EFÊMRO, MAS AO MESMO TEMPO É VIDA, TALVEZ DESISTAMOS DE MAIORES PROFUNDIDADES E NOS

TORNEMOS ASSIM,

EFÊMEROS DEMAIS, MAS SEM NENHUM PROPÓSITO

NÃO É ISSO QUE O FIM NOS ENSINA,

ELE APENAS NOS ASSINA, COMUNS E MORTAIS, PARA QUE MERGULHADOS NO QUE SEMPRE TEM FIM,

DESCUBRAMOS UM FIM EM NÓS MESMOS


QUE  ADIANTE, PARA MUITO ALÉM DA CONSCIÊNCIA DA IMPOTÊNCIA,

POSSAMOS NÃO POSSUIR O QUE É NOSSO,

POSSAMOS, SIMPLESMENTE, SER LIVRES...

Ilustrações: Maria Lúcia Nardy